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Espaço Amigos da Literatura: «A cor do sofrimento» - Por João Angelino - Portal Vany Musik


Por: João Angelino
Revisão: Estevão Ngundia 
 
Hoje é um dia muitíssimo triste para mim.
Lembro-me de algumas situações difíceis pelos quais passei como se fosse hoje .
Num dia como hoje, 29 de Janeiro, levantei cedinho para saudar a minha mãe.
Nós morávamos sozinhas, a minha mãe trabalha numa orta, quando conseguíamos um kilo de arroz era como se conseguíssemos um milhão de dólares. Nós sorríamos porque sabíamos que teríamos jantar. Não importava se era apenas um arroz branco,ou quê, o importante é que havia alguma coisa para colocar no estômago.
Eu era estudante, estava apenas a fazer a quarta classe com 17 anos de idade. Eu dependia inteiramente da minha mãe. Ela era avançada em idade, tinha 64 anos. Era já uma senhora cansada.

Numa manhã de sábado, 29 de Janeiro, estava muito frio.
Era costume a minha mãe acordar-me cedinho para lavar a louça.
Naquele dia, não deu-me sequer nenhum sinal.
Fui imediatamente para o quarto dela, encontrei -a deitada, olhava apenas para uma direção. Os braços dela estavam inertes. Fixei os olhos para ela, direcionei-me até ela, parecia alguém que tivesse perdida em alguma reflexão. Num silêncio inexplicável, tentei perceber o que estava acontecendo. Chamei-a
-Mãe?
Baixei mais a voz
-Mãe?
Ela nem sequer virava a cabeça para mim.
Vi do nariz da minha mãe sair uma formiga.
Comecei a entender que alguma coisa ruim estava acontecendo.
Saí correndo para fora e não sabia se devia chorar, gritar, sorrir ou clamar. Simplesmente saí e um pouco de tudo isso eu fiz.
Os vizinhos perceberam a minha aflição. Começaram a afluir, indagando a razão do meu clamor.

Uns corriam para o quarto da minha mãe, saí gritando.
Em menos de 3 minutos, o quintal todo estava lotado de pessoas.
Eu estava ficando sem perceber o que fazer, se devia chorar ou tomar alguma atitude estranha para tentar resolver alguma coisa.
Ao final de algumas instantes chegara um grupo de senhores com roupas azuis, parece que nos seus uniformes estava escrito SPIC (serviço provincial de Investigação criminal) foram diretamente para o quarto da mãe, saíam com uma maca forrada com um pano.
Os jovens montavam lonas, instalações elétricas...
Passaram-se duas semanas.

Pela manhã, eu ainda esperava que a minha mãe me acordasse, só depois de algum tempo eu lembra-me que ela já não existe. Até hoje não a consigo esquecer, talvez Mia Couto, tenha razão quando afirmara que 'morto amado nunca mais pára de morrer'.
Eu registava uma seríssima dificuldade para conseguir o que comer, com quarta classe não se consegue emprego de gosto.

Era difícil para mim, eu tinha que conseguir uma fonte de renda.
Certo dia, apareceu um senhor com um carro luxuoso, cheirava a bem, usava telefones do tipo iphone 8, só recebia ligações do ministro fulano, governador sicrano, vice-presidente Beltrano. Ele prometeu -me arranjar um emprego rentável.
Pediu-me para arranjar 300 mil kwanzas, para poder garantir a vaga.
Falei com um tio, deu-me o montante.
Dei ao senhor.

Duas semanas depois tentei ligar para ele, estava o seu número indisponível .
Procurei por ele, havia sumido. Acabei percebendo que era um burlador.
Contarei-vos mais essa minha história mais tarde.
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