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Espaço Amigos da Literatura: «A Nitidez do medo» - Por João Angelino - Portal Vany Musik

Por: João Angelino
Revisão: Estevão Ngundia

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Era noite, estava muito frio. Eu estava grávida de nove meses e tinha ao colo um filho de um ano e seis meses. Eram aproximadamente 22 horas. Nós vivíamos no bairro das catanas. Chamavam assim porque lá era mesmo muito perigoso. Durante as noites ouvíamos sempre tiros, pelas manhãs encontrávamos sempre corpos, uns morriam queimados, outros à tiro.

 Não se circulava naquele bairro acima das 18 horas. Os meliantes usavam crianças, mulheres para extorquírem as pessoas. Na altura meu marido estava viajando. O céu ficou nublado, os travões barulhavam Ao silêncio do medo, começou a cair chuva de granidos, muita ventania, em alguns instantes houve corte eléctrico, a chuva caia forte, o meu filho começou a chorar, fui pegá-lo, estava com muita febre. Então aí, comecei a perguntar - me. -O que faço, nesse bairro tão perigoso! Porque viemos morar aqui afinal? O medo tomava conta de mim, a chuva não parava, frio era demasiado, os trovões não paravam. 

Comecei a sentir dores na coluna, era dores exóticas. Só quem já teve dores de parto sabe do que falo. Fiquei sem forças, as dores tomavam conta de mim. Vou alguém a esforçar a mim porta. Santo Deus, fiquei com bastante medo. 

Numa altura como aquela, a chuva caia, não havia corrente eléctrica, meu filho estava delirante de febre, eu estava com dores de parto. Vem mais alguém assaltar-me? Só deve mesmo ser dia de azar. Alguém estava a entrar. Era alguém alto, claro, com cabelos grisalhos. Era o tio Santa barriga, levou - me ao hospital na sua bicicleta dos anos sessenta, com sua calça até ao peito. 
Era um senhor que o desprezavam no bairro do pecado. Agora ele é meu vizinho aqui.
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