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Espaço Amigos da Literatura: «Sociedade maluca» Por João Angelino - Portal Vany Musik


Por: João Angelino
Revisão: Estevão Ngundia

Estive a passar caminho. 
Ao silêncio de um instante ouvi meu nome. 
-Hó Jorge, Jorge!
Parei para ouvir melhor e ver quem gritava para mim. 
Em todos os sítios que olhei não havia ninguém. 
Quando marquei mais um passo para frente em retirada, ouvi novamente 
-Hó Jorge
A voz vinha da direção da lixeira. 
Era um suposto maluco. 
-ó Jorge, tudo bem? 
Fiquei profundamente atónito, de onde é que esse maluco me conhece!? Ignorância aí não resolveria. Então respondi. 
-bom dia! De onde me conheces? 
-ouço-o sempre na Rádio Kialumingo. 
-ah! O que estás a fazer aí? 
-estou a comer funge podre, peixe queimado e umas batatas! Queres também? 
-não! Mas essa comida não vai fazer - te mal? 
-que mal!? Você já viu um maluco que morreu porque comeu no lixo? Já? 
-Não! Mas qual é o seu nome? 
-meu nome é Bualé! 

-Bualé você com um pouquinho de tratamento ainda podes ficar bem? 
-Que tratamento? Tratamento de quê? Eu não sou o único maluco.
Todos somos malucos. Vocês que andam armados em conscientes, fazem sexos com suas filhas, andam todos enfartados afinal em casa jantam água, namoram com meninas que têm idades de suas filhas, metem Jindungo na vagina da outra, roubam - se os maridos, servem comida que não acabam, mijam na rua e dizem que 'isso é Angola', não gostam de trabalhar, dão até i10 nas novinhas mas na sua própria mãe nenhum mísero 10 kzs. Malucos? Somos todos nós, só que uns não admitem. 

-aaahhh Bualé você precisa só de um médico para ficar bem. ! 
-ficar bem para o quê? Já viste um maluco a ficar doente. Não estou doente. Doente sóis vós. 

Prefiro continuar assim. Posso andar nu, comer no lixo, mas não prejudico ninguém, não minto a ninguém, não finjo para ninguém. 
-Epá, Bualé, eu já vou... 
-Não queres mesmo comer comigo? 
-Bualé, obrigado! Fica para próxima. 
-Mim fala la no Kialumingo ya? Vou ouvir aqui ao lado, essa vizinha tem um Rádio.
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