Header Ads


Espaço Amigos da Literatura: "Efeitos do passado" Por João Angelino - Portal Vany Musik

Por: Valdimiro Lourenço
Texto: João Angelino

Era tudo insólito, tinha acabado de chegar da casa do meu filho primogénito e unigénito. Mas não estevi nada feliz. Na nossa idade, quando se saí da casa dos filhos, no nosso semblante só paira alegria, os netos gritam avó dali, avó daqui, beijinhos aqui, beijinhos ali, isso sim, dá alegria, mas a mim, não dava. É tudinho muito artístico quando os nossos filhos têm alvos e lutam para alcançar, com ou sem o nosso apoio, com o nosso apoio é bom. Mas quando o filho consegue tudo sem o nosso calor, força e encorajamento, até o sorriso do filho traz arrepio. O meu filho, cresceu longe de mim. Carinho, atenção, compreensão, apoio e consideração que é bom, não pude dar. 

Na altura, estive preocupado com outras coisas, mulheres, eu estava no auge, cargo de chefia, mulheres em fileiras só para me verem. Cuidar de um petiz recém-nascido era ridículo. 

Não podia perder tempo com criação de filhos. Não digo isso com muito orgulho, mas às vezes tenho a percepção de que valeu a pena. Tenho meus luxuosos carros, minhas vivendas, minhas empregadas. Tenho amigos do mais alto nível, mas às vezes, sinto-me sozinho, não por falta de pessoas ao meu lado, mas por falta de afeição de verdade, carinho de verdade. Quando se tem dinheiro, muitos tornam-se actores ou actrizes para lidar melhor consigo. O lanço sanguíneo reúne ingredientes importantes para um relacionamento longe das influências materiais. É preciso aprender com os erros alheios. Os meus contemporâneos já viviam isso, mas eu queria experimentar na mesma, aliás, nem tudo que parece é.

Hoje, o meu filho ri comigo, leva-me as consultas, liga-me todos os dias, quer sempre saber como estou, e por causa disso, tenho pressa de morrer. Talvez isso é o que chamam de chapada sem mão, isto é mais doloroso que a ideia de que todos morreremos. A vida é assim, mas é dura a minha realidade. Devia ter criado meu filho
Com tecnologia do Blogger.