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Espaço Amigos da Literatura: "O peso do sofrimento" - Portal Vany Musik

Por: Estevão Ngundia
Texto: João Angelino

Moro na casa da minha tia, há mais de três anos. Cá entre nós, não tem sido nada fácil o convívio. Desde que partilho o teto com este pessoal, muita coisa melancólica acontece, desde acusações contra mim. Quando desaparece algum dinheirinho, eu sou o potencial suspeito. Todos nesta casa olham para mim com indiferença, como se eu não fosse humano. Têm todos muita pressa em acusar-me de qualquer coisa que aconteça. Até o cão do vizinho não pode mais latir, o culpado sou eu. Sinto-me tão inútel diante deles que até respirar frente a eles me dá vergonha. Não há conversas senão falarem de mim . Eu já sou o centro das atenções, sou o palhaço da família. Se quisessem rir-se de alguém, era eu o candidato. 
Só que existe uma fundamental verdade. Numa turba de dez pessoas, um sempre pensa diferente.

Naquela família, existe uma menina tão meiga, simpática, carismática. Alguém que sempre ficou contra a atitude da a maior, defendia-me com unhas e dentes. Ficava triste sempre que me via triste. Ela é tão generosa para comigo. Ela é minha prima e está na verdade apaixonada por mim.

Certo dia, nos envolvemos sexualmente. Alguns dias depois, ela estava tendo dificuldades de saúde, tinha constantes náuseas, estava delirante de febre e tinha igualmente dores na cabeça. Pediu -me para que a acompanhasse no hospital central. A médica, olhou-nos atentamente e especialmente para mim, fez um olhar muito exótico. Passou uma prescrição médica, alegando que eram apenas uns sintomas que passaria a qualquer altura. Dois meses depois, por via de alguns amigos versados na matéria, acabei percebendo que ela estava grávida. O que fazer? Eu que já sou o peste da família engravido mais uma das meninas de lá? Ainda mais prima?

Tentamos tirar a gravidez as escondidas. Deu certo, mas alguma coisa não batia bem. A menina estava sempre com febre, sem doente, dores de cabeça, náuseas. Fomos novamente ao médico. O médico tal como aquela médica, olhou-me com indiferença e em seguida disse-me.
-Vais para a cadeia.

Ao ouvir essas palavras tive um frio daqueles como se tivesse na Antártica. Fiquei completamente imóvel. Ele disse que se ela não fosse ao hospital morreria exatamente naquela semana. Eles recomendaram-me a fazer uma cirurgia urgente. Colocaram-nos num carro de urgência médica
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