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Espaço Amigos da Literatura: "E se a pessoa que amas morrer?" - Portal Vany Musik

Por: João Angelino
Revisão: Portal Vany Musik

Existem pessoas que teriam todo gosto em voltar para o passado, pois lá no passado, eles tiveram melhor que agora. Aliás, quando o passado é bom, há sempre boas lembranças. O passado é para mim uma riqueza vivacional. Vivi muito tempo com um bom e maravilhoso amigo, foi naquela altura que eu não tinha nem sequer um colchão para deitar-me. Ele e a sua esposa, Maria, albergar-me abnegadamente em sua casa e davam -me, comida, água, vestimenta e muitas outras coisas, como se eu fosse filho deles. Na altura eu não tinha pés sociais para pisar o terreno do mundo. Precisava de orientação, apoio, força e encorajamento. Pois eu precisava superar-se daquele terrível acidente de trânsito, no qual, perdi minha esposa Amara e os meus três queridos filhos. Fiquei tetraplégico, inactivo e completamente inoperante. Para mim era como se o mundo tivesse conhecido o seu fim e os humanos tivessem todos perdidos a esperança de viver. Não era fácil fazer excremento por via de uma abertura cirúrgica, não poder pegar com a minha própria mão um copo de água ou leite para matar os meus anseios. Sentia-me inútil, acabado e depressivo.
O meu amigo, que Deus lhe pague, junto da sua esposa, levaram -me para a África do Sul, para um centro de fisioterapia. 

Eles visitavam-me sempre que pudiam, eu era muito bem tratado e estava a recuprar-se rapidamente, com o apoio e encorajamento dos outros colegas igualmente deficientes. 
Daí comecei novamente a ver o raiar do sol, parecia que os astros me prestavam atenção. Tudo estava ao normal. Comecei já a marcar passos, a caminhar, a correr ligeiramente.
Tanto o meu amigo, quanto à sua esposa, não me visitavam mais e eu não tinha como telefonar-lhe.

Passaram-se alguns meses e foi decretado que eu já estava completamente curado, que pudia já voltar a minha vida normal.
Viajo para Angola. Logo que vi a pista do 4 de Fevereiro, lembrei-me de quando decolávamos para a África do Sul, tenho lembranças amargas daquela viagem.
Aterreçamos, fomos diretamente à sala de desembarque. As minhas lembranças ao ver o 4 de Fevereiro não eram nada boas, lembro-me das viagens com a minha família. Minha esposa e os meus filhos, depois do brusco acidente e a perca deles. Quando marchava pelos pensamentos nefastos e do passado difícil, parou frente a mim, um carro táxi. 
-Good Morning, ou seja, bom dia! 
Sorri.
-Desculpa meu contemporâneo, pensei que ainda estou na África do Sul.
O taxista sorriu e com grande simpatia disse:
-O senhor viaja à negócios?
-Não meu caro, à saúde! 
Acrescentei.

- À saúde tem custos mais levados em comparação com a comida.
-Onde o senhor vai, exatamente?
Perguntou o taxista.

-Amigo, deixa-me por favor, na rua à seguir...
Vi a partir do carro, a casa, o portão, tudo continuava o mesmo.
-Fico exatamente aqui, obrigado!
Bati com todo entusiamo o portão, estevi louco de vontade de voltar a ver aquele pessoal para puder agradecer, ao menos oralmente pelo favor que me fizeram.
Lá vinha uma senhora abrir a porta.
- Olá, bom dia, seja bem -vindo à casa!
-Obrigado!

O meu grande amigo viu, colocou-se em corridas, abraços...
Mas eu não via a sua esposa. 
-Mano,a esposa?
Ele parou de falar, olhou-me nos lhos, virou-se para mim e disse:
- A Maria, minha esposa, já não faz parte dos vivos. Ela morreu, faz um ano!
Lá no canto superior direito dos olhos, jorrei uma lágrima!
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