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Espaço Amigos da Literatura: "É possível engravidar alguém mesmo usando preservativo?" - Portal Vany Musik

Por: João Angelino
Revisão: Portal Vany Musik
Dentro da minha Toyota Prado TXL de cor cinzenta, que me deixava confortável sempre que tivesse um difícil dia, por via do retrovisor, observei estar uma Toyota Rav Quatro, seguir-me. Era num troço perigoso, recebíamos relatórios desagradáveis da Direção Municipal da Policia Nacional sobre aquele troço, acidentes de viação, estupro, saltos e outras atrocidades eram efectivadas ali, no entanto não era um sítio ideal para estacionar e indagar o tal tipo que me estava a seguir. Decidi acelerar. Senti as coisas todas a minha frente a chegarem tão rápido, o carro parecia não ter as rodas assentes no radar, o ar apesar de ser uma mistura de gases silenciosas, ao tom da minha aceleração fazia barulhos.

O meu TXL batia 180 quilómetros por hora, quer o ponteiro do acelerado, quer o ponteiro da quilometragem atingiam quase o seu cume. Depois de abandonar aquela calçada, desacelerei. Queria ver quem era aquele retrógrado a seguir-me.
Vi o carro a chegar embalado, numa velocidade imaginável, parecia querer competir, abrandei calmamente, senti uma ligeira falha no meu travão, há muito tempo que não levava aquela máquina ao mecânico, girei a direita o volante e puxei a mudança do sector D para o P. O carro parou.
O Rav quatro aproximava e fazia jogos de faros, mantive-me na minha máquina. O carro parou exactamente trás do meu carro, dele desceu um senhor, aparentava ter uns 35 anos, não lembro-me mais muito bem, na altura já estava com 56 anos de idade, a idade já me pesava. Trajava umas calças pretas, camisa branca, casaco preto. Tinha barbas, parecia ter muitos cuidados com as suas barbas, elas brilhavam.

Abri o porta-luvas, tirei a minha Beretta 92, de origem italiana, 9 milímetro de calibre, 850 gramas de peso, com cano de 125 milímetro, carregador de 15 projetis, era de cor dourada e cabo preto. Com aquela bebezinha à mão, só te insulta quem quer casar eternamente com a morte, um tiro daquela bebé, você acaba morrendo muitas vezes. Caminhava em direcção ao meu carro. Destranquei o carro, coloquei a minha Beretta 92 dourada sobre o colo e mantive já a mão no gatilho. -Senhor boa tarde! Disse ele.
O rosto dele parecia-me familiar, mas de uma coisa eu tive a plena certeza, nunca o tinha visto antes. -O que você quer? Indaguei frangindo já o rosto, para mostrar-lhe que não estou de brincadeira, mando-lhe tiros no miolo.
Ele parecia ter perdido a respiração, ficou muito calmo, senti uma ligeira empatia, lembrei-me quando fui chamado pelo delegado da segurança secreta, ao falar comigo, ele pegou a sua pistola Gc2 de 9 milímetros e a outra mão levou-a ao bigode, senti frio no fundo dos olhos. Decidi pegar leve com ele.
Baixei mais o vidro, ergui a mão direita que segurava a Beretta. Ele viu bem a Beretta. Assustou, abrandou os passos e disse.
-Não vou fazer-lhe mal, senhor só quero conversar! Parou imediatamente e meteu às mãos no ar, como já o tivesse mirado. A atitude dele era de militar, ele conhecia os feitos da beretta, por isso, entrou em trabalho de sujeição.
-Quem é você e o que queres exatamente? Perguntei já com sacos de nervos na garganta. Nesta vida, basta você singrar um pouquinho, muita gente do buraco quer saber como chegaste aqui, tentando enfiar-te um dedo para provares o sabor do desdém. Eu estava já frustrado com esses bucéfalos, queria à custo tirar-lhes o fôlego com a minha beretta. Baixei a beretta e a coloquei atrás das calças, na cintura, abri a porta e disse. -Começa a explicar-se jovem...
As minhas energias baixaram, senti um frio profundo lá no meu interior, fiquem sem forças. Fiz uma breve retrospectiva no tempo, quando eu e a Maria tivemos uma emocionante conversa no restaurante, ela tremia, cobria o semblante com venda, parecia estar esconder-se de alguém, ela falou de juramente aos ancestrais. Também falou dum menino que era o filho dela, que fui eu quem a tinha engravidado. Depois destes pensamentos todos, me consertei, será esse o rapaz? E se for, por que razão ele só aparece agora? Agora percebi por razão eu achava o rosto dele familiar. Ele era mesmo parecido com a sua mãe. Mas espera Aí. Maria morreu?

Ele ganhou mais confiança, despiu-se do medo, começou a olhar. -Senhor me desculpa pelo susto que o causei. Vim em paz, quero apenas manter uma conversa civilizada com o senhor. Vim por orientação da minha falecida mãe.
Pareciam sinceras as palavras dele, lá no canto superior dos olhos parecia alguém que estivesse com os bolsos cheios de sofrimento. -Quem é a sua mãe? -Maria senhor... Respondeu apressadamente. -Maria morreu?
Perguntei-o incrédulo. Ele fez uma cara penosa, parecia estar num óbito ou estar naquele instante a ver a sua mãe a ser sepultada. -Sim senhor, ela morreu! Ele falou de forma tão penosa, que tive que encostar-se no meu carro para manter-se em pé. Não dava para acreditar que a Maria, não existia mais. Era doloroso saber que alguém com a qual me relacionei morreu, nem sequer eu pude me despedir dela.
Respondeu-me com muito respeito, com aquele respeito inventado. O respeito genuíno é notório e o inventado, pior ainda. Além do mais, não é necessário formação acadêmica para perceber esse tipo de proceder.
Jorrei uma lágrima estranha, normalmente não costumo chorar. Mas me concentrei, olhei para ele, diretamente nos olhos. -O que ela te orientou?
Ele tentou aproximar-se, mas antes olhou para os lados. -Ela disse que o senhor é meu pai. Senti-me encabulado. Mas lembrei-me que ele era pobre, os pobres gostam de saber que têm família rica. Não basta faltar-lhe a ponta de uma agulha, querem já pedir dinheiro. Esse miúdo só apareceu por causa do meu estado social, senão nunca viria ao meu encontro. Mas eu não sou nada pai dele. É possível engravidar alguém mesmo usando preservativo? Não quero estragar o meu casamento por causa de pessoas pobres e fobadas. Decidi pôr termo imediatamente a aquela situação.
-Jovem, tens quantos ano? -Tenho 32 anos senhor! Desde então sou muito frontal e radical, não gosto de dar rodeios quando alguma coisa balburdia a minha vida. -Jovem, porque não vieste ter comigo antes? Novamente ele olhou aos arredores.
Ergui a cabeça, olhei direitinhos nos olhos dele.
- Senhor, a minha avó não admite. Agora faz sentido. O modo como àquela senhora me olhava e me respondia, na ocasião que procurei a Maria, parecia ter algum problema com os espíritos, até tremi ao colocar as chaves do carro na ignição. Aquela senhora tinha alguma coisa contra mim e ele tentava colocar isso em outras pessoas. Botânica é um mistério que mata mesmo, hoje já há talas de duzentos kwanzas, então, todo cuidado é pouco. Deste miúdo que não quero aproximar. -Ouve lá rapaz. Você já adulto, você percebe às coisas. Ele percebeu que eu ia dizer uma coisa difícil. -Acha possível engravidar alguém usando preservativo? -Não senhor.
-Então não fui eu quem engravidou a sua mãe, pena que ela está morta para explicar-lhe melhor. Lembrei-me da conversa que tive com a Maria, dos ancestrais, daqueles mistérios todos e da olhada da mãe dela, decidi definitivamente me apartar daquela família.
-Não sou se pai, que fique isso bem claro.
Abri a porta do carro, liguei o motor e saí com pressa de não voltar a ver aquele miúdo. Não quis ficar ali nem mais um centésimo.
-Não me voltes a me procurar. Esquece que eu existo. Nunca me viste, nunca falaste comigo! Esquece essa chance de eu ser teu pai. Esquece isso...
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