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Espaço Amigos da Literatura: "Expressões de Amor" Por João Angelino - Portal Vany Musik

Por: João Angelino
Revisão: Portal Vany Musik

Meu nome é João Carlos, nasci nos anos 50, tenho origens genealógicas materialmente pobres. Desde cedo aprendi a trabalhar para conseguir os meus pertences, aliás, o meu pai ensinou-me isso “Um homem deve aprender a trabalhar”. Sempre apreciei a vida política, desde pequeno, mesmo lá nas matas, nas reuniões do povo com as autoridades tradicionais, eu gostava de estar ao lado do meu pai e com ele ouvir os sobas, penso que herdei essas vivências. Aos 18 anos de idade, terminei a minha quarta classe colonial, devo dizer-vos que naquele tempo só a segunda classe colonial era muito prestigiosa. Não é esse vosso ensino médio que parece “ensino medo”. 

Tabuada que é boa muito destes não sabem, mesmo tendo o privilégio que nunca tivemos de opinar em turmas, ter acesso à este vasto progresso tecnológico. Hoje esses miúdos têm mais informações do que Aristóteles, Plantão, etc, mas escrevem garatujas, têm aversão dos livros, aliás, eu acho que os próprios pais não ajudam. Na estante de casa, parece-lhes mais fácil enfeitar com garrafas de bebidas alcoólicas do que livros. Ingressei na vida política aos 18 anos de idade, quando tinha já terminado a minha formação acadêmica. A vida para mim nunca foi fácil, tudo ficou duro quando os meus pais começaram a ficar cansados por causa do excesso de idade. A idade pesa tanto que às vezes contraria a vida. Nós éramos três irmãos, o primogênito mandou fumar a escola aos 15 anos. Pessoalmente o entendo. Naquela altura estudar era um exercício extenuante. O ensino era quase, senão mesmo autocrático o que não facilitava nenhum ousado. A segunda, minha falecida irmã, tinha o azar de encontrar-se com homens que tem licenciaturas na arte de vigarizar. Eram extremamente vigaristas, até no andar eram perceptíveis, pena que percebi isto mais tarde. Eu sou o último filho, e por ser mesmo o último e os meus irmãos não terem sido bons exemplos, fui fortemente monitorado pelos

meus pais, até no respirar, eu era controlado. Inicialmente isto me causava certas balbúrdias, mas com o tempo percebi porque e hoje, sou plenamente grato à eles. As advertências, as olhadas e os silêncios são muitas vezes expressões de amor e manifestação de preocupação dos nossos pais. Aborrecem às vezes, tornam-se chatas muitas vezes, mas são necessárias, nos ajudam, nos constroem, aguenta-las só nos proporcionam ganhos. Tenho orgulho da minha infância, dos amigos, de quase absolutamente tuto que passei enquanto crescia.
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