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Espaço Amigos da Literatura: "Governante Covarde" Por João Angelino - Portal Vany Musik


Por: João Angelino
Revisão: Portal Vany Musik

Tão logo que primei pelo alarme de ignição, estava um Land Rover vermelho, com um ícone renovado em Paris, apresentava a tecnologia on-Road de marca. Motoro diesel de seis cilindros, com 180 CV, a velocidade máxima era de 350 quilômetros por hora, custou do meu bolso 69.111 euros.
Tinha que sair para ter com a Maria, a ausência dela em casa é deveras um fenômeno. Dentro daquele carro, eu sentia-me distante de África, o ar condicionado Split daquela viatura era ideal para aquele ambiente pequeno. Era um modelo convencional e acessível com capacidade de trinta mil Btus. Oferece vantagens como a flexibilidade e opções de modelos ofertados em qualquer mercado mundial... O meu Land Rover mostrava a diferencia entre meio de transporte e carro.
Acelerando paulatinamente pelas ruas do município, comecei a ver literalmente o sofrimento daquele povo, ruas buracadas, poeira por tudo que é lado, situação extremamente desagradável, não fazia a mínima ideia de que a vida dos munícipes fosse assim. Os miúdos olhavam para o meu carro, comentavam, o mais velhos apontando dedos. Me senti um herói, mas em simultâneo um governante covarde. Tenho toda
menos, isso é tida como uma verdade coletiva, com a qual, concordo.
uma vida de luxo, carros de gamas, relógios, telefones, privilégios inimagináveis, mas os meus súditos, aqueles que fazem a minha governação sortir efeitos, aqueles que aceitam as minhas decisões sem objeção, vivem só porquê não têm o azar de morrer. Não estão satisfeitos nem com a própria respiração. A governação humana é incompleta e injusta, não se ajusta aos padrões de todos, há em toda governação, a qualquer parte do mundo, uns mais favorecidos e outros
- Quem é?
Avistei a casa da Maria, casa de bloco, não rebocada, quintal de chapa, dava para ver que viviam mesmo sob extrema pobreza. A pobreza é uma doença que mata preguiçosamente e aquele pessoal, morria aos retalhos por causa da falta do necessário, apesar de que os humanos têm o estranho hábito de culpar a guerra por sua pobreza. Estacionei a viatura, caminhei alguns metros até a porta do quintal de chapa. Bati calmamente para não assustar nem ser tido como mal
educado.


Foi uma voz feminina, parecia de alguém que estava cansada de falar,
as mães por lá, falavam muito, ralhavam muito os filhos.
Houve um rumor percuciente, parece que estavam caminhando para abrirem
-João Carlos! -me a porta. -Bom dia senhor Administrador!@
cabeça, dava apesar do lenço pra ver as evidencias do excesso de
Era uma senhora baixinha, escura, trajava um pano azul, lenços a
Tinha um olhar de sofrimento, um olhar que apelava ao supremo.
idade, apresentava rusgas no rosto e as veias corriam-na pelas mãos. -Bom dia senhora! Como à senhora está?
de abrir a boca. Ouvia-se por outras bocas que ela tinha vaidade no
-Estamos bem, senhor Administrador! Até no falar ela era velha, falava com velhice. Parecia ter preguiça
falar.


Um aspecto que aprecio nas mais velhas é que elas têm uma exótica arte
de esconder os problemas, talvez porque há problemas que não se
visível algum buraco de problema, mas não se pode esforçar as coisas,
resolvem, são como heranças de pobreza. Pelo semblante dela era nem as pessoas, senão até o líquido chega a quebrar.
-Aqui na minha casa?
- A senhora sabe me dizer se a Maria está em casa?
A senhora olhou-me bem, olhou à esquerda, olhou à direita e proferiu.


Fiquei espantado. Os humanos gostam muito de culpar a idade, assim ia
me dizer que não entendeu bem por causa da idade. A idade sofre, é
falcatruas.
sempre o vilão quanto os mais velhos querem orquestrar as suas -senhora, eu gostava de saber se a Maria esta em casa?
Alguns quilos de culpam subiam-me ao cérebro. Na minha casa não está,
-Não, senhor Carlos, a Maria foi a sua casa ontem e não voltou a casa. aqui não, onde será que foi? O que será que a aconteceu?
A senhora deu intervalo de alguns segundos.
A senhora olhava-me nos olhos, como quem quisesse ouvir alguma dos olhos, como se fossem os olhos que falassem literalmente. -Está bem senhora! Eu já vou, Obrigado! - Vai com Deus!
Disse ela.


Fiquei completamente dispersado em pensamentos, fui à zona mais
recôndita, lá mesmo nos quartos mais letárgicos da reflexão. Será
que a Maria a disse alguma coisa? Ela olhava-me tão estranhamente que
parecia saber de alguma coisa, nem para casa dela convidou-me a
recepções, parece que a vida dela levava muitos sacos de problemas.
entrar, ao que sei, as mais velhas são boas em hospitalidade e
longos minutos.
Colocar a chave do carro na ignição custou-me precisamente três

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