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Espaço Amigos da Literatura: "Qual é o sentido da vida?" Por João Angelino - Portal Vany Musik

Por: João Angelino
Revisão: Portal Vany Musik

Lembro-me como se fosse agora mesmo, naquele dia, eu estava completamente exausto, tinha quase sete reuniões de negócios, incluindo almoços, este exercício de ganha pão é extremamente extenuante. Talvez os iniciantes observam prazer nisso, mas eu, talvez devido ao tempo de trabalho, já não vejo prazer nenhum nisso, tanto é que me quero já reformar...

Dentro do veículo, com os vidros todos fechados, por causa do inegociável frio da região do centro sul, que assolava aquela zona, 18 grau de máxima e 4 de mínima, estava completamente frio, quem já esteve em Portugal ou Rússia em tempos de frio sabe o que digo. Apesar do frio, havia muita circulação rodoviária e de pedestres.
Mas dois quarteirões além de onde estive chamou a minha atenção. Nas cidades metropolitanas, é comum, quando há acidentes o fluxo sangrento de pessoas no local do acidente ou incidente. 

Aprendi com um velho amigo que jamais devemos deixar de observar o que chama atenção da maioria.

Aproximei para ver o que se passava, na verdade, de um acidente rodoviário se trava.
Eram dois motociclos que colidiram fatalmente, quando um vinha em alta velocidade e o outro, tentou entrar rapidamente sem dar conta do outro motociclo.
A polícia de trânsito já estava ali, cercou o perímetro, fazia medições para entender aquele alarido e descontentamento social.

Havia muita enchente, apesar disso, consegui perceber que entre as vítimas, havia uma mulher, estava dum casaco rosa que tinha desenhos de um ursinho.
Situações como aquela toca o estado emocional de qualquer pessoa e apela ao choro. Mas nós já vimos situações daquela natureza inúmeras vezes, afecta-nos, mas já não nos faz chorar.

O que mais queria era chegar em casa e poder ver e estar com a minha família. Esse era sempre o meu desejo, pois eu saia em casa por volta das seis horas e voltava acima das vinte horas, deixava a minha menina a dormir e a encontrava sempre a dormir, tanto ela quanto a minha esposa, viamo-nos só quase aos finais de semana. Mas falávamos sempre por via de sms, telefonemas ou por via das redes sociais.

Em casa, ao estacionar vi a lâmpada do meu quarto ligada. 
Vinte duas horas, costumeiramente a minha mulher fica já ao lado dos anjos, em alto sono.
Foi surpreendente aquilo. 

Assim que saí do carro, lá vinha minha esposa em corridas, atirou-se ao meu corpo, em tom de abraços e começou imediatamente a jorrar lágrimas. Soluçava e não conseguia dizer nenhuma palavra sequer. Honestamente eu não fazia ideia do que se passava, daí que não sabia se a abraçava freneticamente em correspondência, se chorova com ela como manda a Bíblia, fiquei inerte. Sei apenas dizer-vos amigos, que aquilo afectou o meu estado emocional e senti lá na parte mais concêntrica do âmago do meu interior um frio profundamente estranho, que fazia sentir -me exótico, sentido e lesado. Então, mesmo sem saber porquê jorrei lágrimas...

Então ela consegui emitir as primeiras palavras.
- O senhor António morreu. (Choros)
Perdi o que chamam de fôlego, não sabia ao certo, se pergunto a causa ou se choro, fiquei amortecido e não senti mais nenhum sentimento. Perdi os sentidos todos e simplesmente abracei fortemente a minha mulher.

António era o meu pai biológico, que até então vivia connosco, pois já somava longos anos de vida e tinha por isso, dificuldades de saúde e precisava mesmo de cuidados especiais. Tê-lo em casa, já trazia-me tristeza, pois a velhice de alguém que amamos é uma tristeza. Neste privado, a vida parece não fazer muito sentido.
Minha mulher continuou a emitir a notícia.

-Ele ia atrás da Amara, ela também foi -se, morreu...
Gritos lancinantes. Depois de ouvir isso percebi que ainda tinha sim sentimentos. 
-Não, não, minha filha, não...
-Minha primogênita não, não, não, meu Deus não! Por quê? Ela não...
Continuei.
Gritos.

-Foi um maldito acidente rodoviário de motociclos, não posso crer... (choros). Ela com aquele casaco de ursinhos.

Já passaram-se vinte anos, mas aquela garota inocente, linda, inteligente, com olhos brancos e cabelos loiros, nunca sairam da minha cabeça. Há acontecimentos que até o tempo não congela...
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