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Espaço Amigos da Literatura: "Trabalho pecador" Por João Angelino - Portal Vany Musik

Por: João Angelino
Revisão: Portal Vany Musik

Desde muito pequeno, o meu falecido avô dizia que eu seria um grande homem, alguém de quem os meus pais, irmãos e até o mesmo país todo ia se orgulhar, foi isso que me estimulava para superar-se a nível acadêmico, pessoal e profissional. 
Eu tinha muito orgulho de mim mesmo, era presciente, antevia o meu futuro e fazia planos, traçava perspectivas baseadas em convicções sólidas e tinha plena certeza que não seria qualquer um nesse nessa longa estrada vida.

Esses objetivos insuflavam-me de encorajamento, estímulos, vontade de progredir.
Eu queria surpreender o mundo, mostrar uma coisa diferente, algo que ninguém chegou jamais a pensar, a construir ou expressar. Queria ser como livre como as aves do céu, como a letra na literatura, como a água no rio, queria mostrar algo insólito ao mundo.
Comecei a ir atrás dos meus sonhos, trabalhava como professor do ensino primário. Tudo se encaixava, eu era muito convicto, conseguia transmitir com grande fluência os teores, tinha tudo para dar certo, e tudo estava indo tão bem, tal como queria. Comecei meus negócios, eu nunca gostei de depender inteiramente do salário, procurei promover e criar riquezas, dar empregos, fornecer produtos alimentares em empresas de manufaturação. Minha vida ganhou asas. 

Numa manhã de Segunda-feira, enquanto me preparava para ir ao trabalhava, tocava o meu celular, atendi rapidamente. 
-Alô, bom dia! Tenho o prazer de falar com quem? 
Estava mesmo curioso para saber quem estava do outro lado e por que razão ligava tão cedo. 

-Senhor João Carlos, bom dia! Obrigado por atender a nossa ligação! Nós... 
-Mas quem fala? 

Interrompi, pois o tal tipo demorava em falar a seguir. 
-Bem, Senhor João Carlos, estamos a ligar-lhe a partir da nossa Central, gostaríamos de manter uma conversa presencial consigo. Sabemos que ainda está em casa. Pode por favor, dizer-nos à que horas podemos nos encontrar? 
Que estranho, que central? Como sabem onde estou? Quem são eles? Inúmeras indagações passaram pela minha cabeça, todas elas sem respostas. O indivíduo que falava comigo ao telefone tinha uma voz aguda, parece de alguém que estava acostumado a dar ordens. Eu sou daqueles que não aceita ser dominado, não por falta de humildade, mas por que conheço as minhas valências. 
-Quem é o senhor? E trata de falar comigo numa tonalidade moderável... 
Houve Num instante um silêncio profundo, alguns segundos depois, uma voz ergueu-se. 
-Senhor Carlos, as nossas mais profundas e sinceras desculpas por tê-lo chateado. Gostaria de saber onde e que horas podemos conversar? 
Um dos piores problemas do ser humano é a curiosidade desenfreada. Ninguém fica com sapo na garganta numa situação destas. 
-Bem, senhores... 
Processei o que seria correcto fazer naquela situação. Deve ser alguma coisa importante, que sirva que seja salutar. Os tais tipos, parecem mesmo pessoas sérias e altos mandatários tácitos. 

-Ora, senhor pode ser hoje, às dez horas e meia? 
-Sim, senhor João Carlos! Aonde devemos encontra-los? 
Ajeite bem os óculos para ver se o cérebro processava direito. 
-Se não se importarem, posso ir até vocês, ou seja, na vossa central! 
Houve um silêncio, parece que estavam à procura de unanimidade. 
-Sim, Senhor João Carlos, vamos enviar-lhe o endereço a seguir! 
-Obrigado! 

Sem ouvir sequer um ruído, a ligação deu termo. 
Em menos de trinta segundos, caio uma mensagem 
"Rua Norton de Matos, prédio 4, apartamento 2, porta 3". 
Aproveitei a energia física proporcionado pelo bom descanso para caminhar. 
Mas os pensamentos trataram de me incomodar. O modo como eles me tratava ao telefone parecia que já tinham informações sobre mim, os meus passos, minhas ligações, minhas mensagens. Mas quem são eles? Comecei literalmente a ficar preocupado. Quando cheguei ao endereço indicado, antes mesmo de tocar a campainha, um senhor alto, escuro, usava um fato preto, uma gravata vermelha, parecia ter dois metros de altura, tinha uma cicatriz no rosto ao lado direito, tinha olhos brancos, acenou para mim com a cabeça, era como quem dizia avança, não endereçou - me nenhuma palavra. 

Uma das boas coisas na comunicação humana é que a linguagem não é completamente oral. 

Durante a caminhada pelos corredores do mistério, havia por tudo que é canto senhores altos, com posturas de militares, todos fixavam seus olhares numa única direção, pareciam robôs, davam literalmente medo. 

Havia uma sala abarrotada de iluminações brancas, todos os funcionários vestidos de brancos, todos eles conectados aos seus respectivos computadores, usando auriculares e microfones, eles conseguiam ouvir qualquer chamada que se efetue, basta alvejarem alguém. Aí percebi por que eles sabiam onde eu estava. 
Havia uma tela gigante, igual aos utilizados em cinemas, onde todo e qualquer operador informático naquela sala lançasse uma coisa que fosse para a maioria ver e a examinar. 
Um senhor alto, estreito, claro, tinha um bigode esquisito, usava umas calças pretas, camisa Branca e colete à prova de balas. Sob sua secretária, havia uma pistola G2c dourada de nove milímetros, compacta e ergonómica, uma mão coçava os bigodes e outra, estendeu-a para mim sorridente disse: 
-Muito obrigado, senhor João Carlos por teres vindo... 
Deu uma pausa, olhou-me nos olhos e disse: 
-Queira sentar-se! 
Indicou com a mão o assento. 
-Obrigado! 
Respondi rapidamente. 

Em seguida ele sentou-se também e pousou uma mão sob a pistola e levou a outra ao queixo. 
Senti um frio tremendo na alma e lembrei-me da minha advertência de moderar a voz. 
-Senhor João, meu nome de Guerrilha é Escuridão. Neste trabalho, nós não usamos os nossos próprios nomes, penso que o senhor percebe por que. 
Pausou, enfatizou o contato visual e continuou.
- O senhor está aqui para cumprir uma missão, uma missão que vai envolver-lhe no aparelho do estado. O senhor vai lidar com altas figuras políticas... 
Antes que ele terminasse interrompi 
-O que lhe faz pensar que estou interessado nesta missão? 
Ele sorriu um sorriso sorrateiro, desdenhoso e perigoso. 
-Só há dois jeitos de o Carlos sair daqui. 
Pensei, já não sou senhor? O respeitou morreu naquele sorriso inventado? Ele persistiu. 
-Ou num sapo preto, sendo levado diretamente para a morgue ou andando para sob nossas orientações... 
Deu um intervalo 
-Qual das opções o senhor vai escolher? 
Não pensei duas vezes! 
-Fico com a segunda opção! 
Respondi rapidamente. 
-Inteligente! Seu código de agente de visibilidade exclusivamente e baixa 1828, vamos ligar para si e ficar de olhos 24 sobre 24 horas, nada de fazer as operações desta unidade sem a nossa anuência. Percebido? 
Engoli em seco, fiquei com bastante sede, precisava de água, parecia que estava no deserto do sara. 
-Sim! 
Respondi. 

-Seu Anagrama é Khengue. A partir de hoje e agora, seu nome já não é João Carlos. Você será empossado na segunda-feira da próxima semana como administrador deste município, lembre-se, nesta missão, o seu parceiro é o Governador! O alvo, Procurador provincial. Atenção, você vai receber instruções diariamente para melhor execução desta missão. 
Estamos conversados? 
-Sim, estamos!
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