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Ensino-aprendizagem na disciplina de História na 9.3 em São Francisco de Assis na Kamussamba - Huambo em 2015 - Portal Vany Musik

POR: JOÃO SICATO KANDJO

=OS FACTORES DE DESENCANDEAMENTO E O DECURSO DA I GUERRA MUNDIAL=

INTRODUÇÃO

Se estagiar é período de trabalho por tempo determinado para formação e aprendizagem de uma prática profissional, sendo um momento único e especifico de um processo, então tal processo foi cumprido com zelo e dedicação na Escola de São Francisco de Assis na Kamussamba-Huambo, desde o mês de Junho até nos últimos dias de Outubro de 2015, na disciplina de História, concretamente na 9.3.

As primeiras três aulas do mês de Junho, foram apenas de observação. Tivemos a oportunidade de compartilhar e trocar algumas experiências profissionais com a professora Josefina (professora da cadeira). Outro dado muito importante na aula de observação é a oportunidade de poder conhecer os estudantes da 9.3 com antecedência, de tal sorte que facilitasse fazer a distinção entre os alunos inquietos, dos calmos e menos calmos, os que perguntam com seriedade dos abusivos, a forma como se pode organizar a turma e consequentemente a maneira como a Professora Josefina tem dado a sua aula.

Depois da aula de observação, como é óbvio, o passo seguinte foi propriamente a aula prática que totalizou 11h (11 tempos lectivos), a sexta aula foi reservada para a avaliação do professor. Tratamos do Capítulo II: A Primeira Mundial, com as seguintes temáticas: Os factores de desencadeamento e o decurso da I Primeira Guerra Mundial.

Assim o nosso objecto de estudo é a aprendizagem prática, ou seja identificar os problemas concretos que os estudantes da 9.3 têm em aprender acerca da primeira guerra mundial.

Deste modo a nossa vivência durante muitos dias foi necessariamente para aperfeiçoarmos a prática em orientar a disciplina de História, identificar os erros e os problemas dos estudantes e por conseguinte darmos a nossa contribuição para a resolução dos mesmos.

Os temas abordados justificam-se pelo facto de obedecermos o programa local de disciplina de História da 9ªclasse a nível Nacional e Provincial. Este tema é de extrema importância, afinal, não devemos nos concentrar só na negatividade da guerra, mas também na positividade da paz, sendo que esta foi a lição moral que constantemente fomos passando, de modo que eles percebessem, que a paz é fundamental para os homens, enquanto as guerras, trazem sempre consequências nefastas.


CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA

A escola Missionária São Francisco de Assis-Kamussamba do Huambo, localizado no Bom Pastor, foi fundada pelo Frei Carlos António Pastorella em 1986. Um religioso que foi capaz de educar as crianças, adolescentes, jovens rejeitados nas escolas do estado a uma formação de carácter profissional, e como é óbvio, este ofereceu máquinas de corte e costura.

Assim as primeiras duas salas foram construídas em 1988 (4 de Outubro) no actual Bairro Tchitutula. Nesta fase inicial apenas tinha 45 alunos da 4ªclasse, tendo chegado ao fim do ano lectivo somente 12 alunos.

Por conseguinte, em 1992, o ensino da escola em epígrafe foi oficializado, tendo deste modo professores colocados pelo estado e em muitos casos professores provenientes da Igreja sugeridos pela mesma direcção da Igreja. Pedagogicamente e administrativamente esta escola foi orientada pela Direcção Provincial da Educação.

Três anos mais tarde (1995), a escola deixou de ser no Bairro de Tchitutula para a comunidade das irmãs São Carlos Lwanga (Kamussamba). No dia 1 de Abril de 1996 Pastorella perdeu a vida e portanto sucedeu-lhe o Frei Cláudio.

O prestígio da escola aos poucos estava a ser criado e em 1997 aumentou-se a dimensão para 5 salas de aula com 216 carteiras. Nesta fase a escola era composta por 29 funcionários, mencionados a seguir:
1.      Isaac Kulekalala C. Reis (Director da escola)
2.      Ângelo A. Funete (Sub-Director Pedagógico), mais tarde sucedeu-lhe Gabriel Alexandre. E em 2005, este também por sua vez foi substituído por Venância Ngueve.
3.      Zacarias Tchitumba (Chefe de Secretaria)
4.      Beatriz Eliseu (Secretária)
5.      Bernadeth e Constantina (Continas/Guardas)
6.      (14) Professores do I Nível com cerca de 449 alunos
7.      (9) Professores do II Nível com 151 alunos

Porém a partir de 2007, Venância Ngueve depois de ter sido Sub-Directora Pedagógica, assumiu o cargo de Directora Geral, enquanto Geraldo Vieira assumiu o cargo de Sub-Director Administrativo. Actualmente a escola é assistida pelo Frei Benedito. Com uma visão cristã e católica. Tem como objectivo formar o homem novo, em todas as suas dimensões, sejam humanas ou espirituais.


DESENVOLVIMENTO DO ESTÁGIO

Actividades Desenvolvidas

Tal como mencionamos no início do nosso trabalho, na primeira fase do nosso estágio observamos algumas aulas como tem sido habitual, estas aulas observadas faziam parte do primeiro capítulo: A ocupação colonial de África, como é o caso dos seguintes temas:
1.      A Conferência de Berlim e as Suas Consequências
2.      A Conferência e o Reino do Khongo
3.      A Política Colonial Portuguesa

Estes mesmos temas foram ministrados e orientados pela professora da Disciplina de História (Josefina Ngueve), de tal sorte que possibilitasse o domínio da turma e posteriormente a familiarização entre os professores estagiários e os estudantes.

Depois das aulas de observação, sucedeu-se as aulas práticas, começando no segundo capítulo: A I Guerra Mundial, discorrendo nos seguintes temas:
1.      Factores de desencadeamento
2.      O Decurso da Guerra

Toda nossa actividade estagiaria concentrou-se na 9.3, na escola já mencionada.

Descrição Das Actividades Desenvolvida

Durante o nosso estágio efectuamos as tarefas normais de trabalho, como é o caso da participação nas planificações, diálogo constante com a professora da cadeira, bem como as aulas que foram dadas por mim. Vamos nos debruçar nesta última (aulas dadas por mim).

Como já fiz menção a I Guerra Mundial, foi o capítulo que orientei aos alunos durante as minhas aulas práticas.

No primeiro ponto “Factores de Desencadeamento, de acordo com o manual utilizado (9ªClasse), resumidamente tratamos da competição imperialista e o nacionalismo europeu, fazendo recurso ao início do século XIX, gozando da supremacia europeia nomeadamente, indústrias poderosas, uma forte capacidade financeira, um extenso domínio comercial, uma numerosa densidade populacional, prestígio e credibilidade das suas universidades.

Entretanto no fim do século XIX, aumentavam os factores de disputas entre as nações europeias. Entre a Inglaterra e a Alemanha nasceu uma fortíssima rivalidade económica e por sua vez entre a França e a Alemanha havia um clima de tensão devido as colónias disputadas por ambas e também por causa dos territórios da Alsácia e da Lorena após a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871). Como se não bastasse, destaca-se a Península Balcânica, zona de múltiplas nacionalidades, onde vários movimentos de libertação tentavam pôr fim ao domínio Austro-húngaro.

As rivalidades politicas e internacionais, que se tinham agravado depois da Partilha de África (Conferência de Berlim, em 1884/1885). Colonialismo imperialista (motivado pela necessidade de industrialização). Nacionalismos Exacerbados de algumas potências e Concorrência Económica.

As rivalidades económicas agravaram os sentimentos nacionalistas e geraram desconfianças mútuas que levaram a celebração de alianças político-militares: 1882-Tríplice Aliança (Alemanha, Austro-húngaro e Itália), e em 1914-a Tríplice Entente (França, Rússia e Inglaterra). A política de aliança assentava no princípio de que se um dos membros fosse atacado receberia auxílio dos seus aliados, esta lógica era perigosíssima.

O segundo e último tema a ser orientado por mim foi “ O Decurso da Guerra”, começando pelo início da guerra, em 28 de Junho de 1914, em Saravejo (Bósnia Herzegovina, território Austro-húngaro), um nacionalista sérvio assassinou o arquiduque austríaco Francisco Fernando e sua esposa (casal herdeiro do trono). E um mês mais tarde a Sérvia declara guerra. A Rússia, aliada da Sérvia, mobilizou-se contra a Alemanha. As alianças accionaram-se, dava-se, assim, o inicio à I Guerra Mundial. Assim durante o desenvolvimento da guerra, as declarações de guerra sucederam-se com grande rapidez:
28 de Junho: a Áustria-Hungria declara guerra à Sérvia
1 de Agosto: a Alemanha declara guerra à Rússia
3 de Agosto: a Alemanha declara guerra a à França e à Bélgica
4 de Agosto: a Inglaterra declara guerra à Alemanha
6 de Agosto: a Áustria-Hungria declara guerra à Rússia
11 de Agosto: a França declara guerra à Áustria-Hungria
12 de Agosto: a Inglaterra declara guerra à Áustria-Hungria

Deste modo, o imperialismo das nações industrializadas e os anseios nacionalistas e de alguns povos dominados levariam à eclosão da I Guerra Mundial em toda história da humanidade, e ao mesmo tempo as alianças que nos referimos (Tríplice Aliança e a Tríplice Entente) contribuíram para que a guerra fosse uma realidade.

A minha aula prática terminou até a este paragrafo e o meu colega deu sequência.


PROBLEMAS TÉCNICOS RESOLVIDOS E REFERENCIAL TEÓRICO

Relação Professor- aluno

Nesta categoria descrevemos como era a relação professor-aluno e as relações interpessoais que ocorriam na escola. A comunicação é fundamental, especialmente no contexto educacional. Quando existe uma falha na comunicação, ou um não sabe ouvir o outro, os relacionamentos acabam se desintegrando e trazendo à tona vários comportamentos indesejáveis como o desrespeito entre as pessoas e a agressividade, entre outros (MORALES, 2000, p. 77; ESTRELA, 2002, p. 35; SCHABBEL, 2002, p. 13; FREIRE, 2007. 50). Podemos notar bem a importância da comunicação na maneira como resolvi nos seguintes termos:

1.      No primeiro instante tentei conhecer os alunos, saber quem eram de onde vinham para que haja diálogo e compreensão.

2.      Nas primeiras semanas consegui controlar a sala, os alunos ainda não tinham conhecimento direito do professor.

3.      Procuramos ter um relacionamento normal permitindo a liberdade de conversar assuntos pessoais, portanto a nossa relação foi amigável.

Comportamento

Nesta categoria foi considerado o comportamento dos alunos, como: positivo, disciplinar, cooperativo, integracional e sem sobressaltos nas aulas de História.

O mais engraçado consiste no facto em que, de acordo com alguns professores da Kamussamba, consideravam a turma em questão como sendo indisciplinada, mas nós usamos alguns métodos e técnicas variáveis e por isso estamos de acordo com Marriel et Al, que já a seguir se pronunciam:

Marriel et Al (2006, pp. 35/50) explicam que “se há uma melhoria na relação entre professor e alunos e se os métodos tradicionais fossem colocados de lado, a violência tenderia a diminuir”. Segundo os relatos, a sala era indisciplinada, mas alguns professores conseguiam trabalhar com ela. As dificuldades de relacionamento com apenas dois professores levaram a situações de comportamento graves. Liberal et At (2005, p. 25), escrevem que a violência tem influência do meio social e familiar onde o jovem está inserido, mas não se pode deixar de lado que a escola crie também um ambiente de insegurança, medo, repreensão, autoritarismo, por parte de alguns.

Podemos hipotetizar que os professores mais autoritários e menos flexíveis tinham mais problemas com a sala, no que se refere à indisciplina e violência de maneira mais agressiva. Felizmente não foi o nosso caso.

Aprendizagem

Esta categoria refere-se à assimilação ou não de algum conteúdo, ou seja, se os alunos conseguiram adquirir algum conhecimento novo, que poderia ajudá-los no seu desenvolvimento social, económico e pessoal. Assim sendo, aqui foi observada a atenção, desatenção, se eram alunos copistas, como aprendiam os conteúdos expostos, e as tarefas exigidas pela disciplina de História.

Para o Coordenador Pedagógico os alunos não estavam gostando de alguns professores que eram voltados para as aulas tradicionalistas, pois eles tinham muitas dificuldades no aprendizado, e com alguns métodos antigos, as aulas ficavam cansativas. Na opinião dos professores, não havia como conseguir cumprir algum conteúdo sem antes saber o que eles realmente estavam fazendo na sala de aula, pois a escola mais parecia um refúgio dos problemas do que um lugar onde o conhecimento deveria ser transmitido e a socialização feita, o que é corroborado por Charlot (2002, pp. 432/443). Schabbel (2002, p. 35) coloca que, sem diálogo não existe o aprendizado.

Expectativas

Todos nós temos expectativas em relação a algum facto e não é diferente com os professores estagiários, no início de cada estágio, isto é, como serão suas salas, se virão alunos motivados, mas surge a expectativa negativa, de medo em relação às salas como a violência a indisciplina. Nesta categoria foi exposto aquilo que esperava daquela sala, tanto no início, como no decorrer do estágio.
1.      Foi um estágio cheio de expectativas, planejamento de aulas, reuniões, imaginando alunos interessados, disciplinados e dialogantes.

2.      É de relembrar, todos os dias em que trabalhamos no estágio de 2015, pois era um desafio muito grande e desejável.

Franchi (1995, p. 20) e Tapia et al (2001, p. 30) explicam que, com a falta de motivação, os professores acabam se tornando pessoas deprimidas, gerando até a ausência na escola por tempo indeterminado.

Por isso ficamos sempre motivados para transmitirmos aos alunos uma boa imagem, compreensão e amizade.

Família

Nesta categoria explicamos como a família era vista pelos comentários dos professores. Sabemos que ela exerce muita influência sobre os jovens, (FARIA FILHO, 2000, pp. 44/50; BERENSTEIN, 2002, pp. 15/25), descrevem nos seguintes termos:

“Classe social baixa, muitos com família desestruturadas...foram criados apenas pelas mães, as quais saiam para trabalhar cedo e voltavam tarde...faixa etária de 15 aos 17 anos...idade problemática...alunas mães...na minha visão apenas eram pobres...que estavam gerando pobres...consegui falar com alguns pais...seus pais iriam criticá-los...famílias estar distantes...ele fica com os colegas e eles tem parâmetros errados...seja da TV ou seja na rua”

Para que os alunos aprendam, é importante que os familiares incentivem e encorajem aos seus filhos ou parentes a serem pontuais, assíduos e activos durante as aulas. Se por um lado o professor tem que dedicar-se, por outro a família tem que contribuir.

Sentimentos e Estímulos

Nesta categoria cabe salientar as emoções, medos e demais sentimentos que a sala ocasionava nos professores e demais funcionários da escola. Aparentemente, o sentimento na maioria das vezes era mais positivo do que negativo, pois tinha prazer em entrar naquela sala de aula.
1.      Equilibrar minhas emoções, sem se deixar levar pelos alunos, queria elogiar, incentivar, comecei a administrar e equilibrar as emoções. Começaram a sentir a pressão e confiança em si mesmo, eram capazes de produzir algo e ter iniciativa.
2.      (Os alunos) Sentiam-se bem, contando para mim seus problemas
3.       Superaram suas dificuldades

Sobre as emoções, Fiamenghi (2001, p. 23) explica que:

“O processo emocional terá sinal positivo quando procurar aumentar a influência dos estímulos que o iniciaram; este estado é chamado prazer. O processo emocional terá sinal negativo se procurar romper ou diminuir a influência dos estímulos que o iniciaram; este estado é denominado desprazer).

Ética Profissional

Muitos professores relataram o profissionalismo em sala de aula, como era a ética deles em relação às aulas e aos alunos. Mas eu fi-lo nos seguintes pressupostos:

1.      Conseguia administrar, conceitos importantes para minha vida profissional, não deixar me influenciar, procurava mostrar firmeza e preparar uma boa aula;
2.      Nunca foi uma barreira para eu trabalhar meus conteúdos para exigir responsabilidade, pois [nas palavras dos alunos], o senhor dá aula, coloca em ordem, e sabe conversar quando nós precisamos.

Não podemos deixar de considerar que os professores devem ajudar na construção de uma sociedade melhor, juntamente com os seus alunos. Perrenoud (2002, p. 103) explica o profissionalismo do professor, mas sem autoritarismo, incentivando a postura reflexiva, como reiteram Zeichner e Liston (2003, p. 81).

Mudanças

Nesta categoria destacamos parte importante do trabalho, as mudanças ocorridas por parte do Professor estagiário na maneira de agir com a sala da 9.3 durante as aulas de História.
1.      Exclui do meu vocabulário as palavras consideradas difíceis, tive a ideia de fazer uma peça de teatro. Fiz um semicírculo, conversei com os alunos, naquele momento me senti muito bem. Os alunos começaram a apresentar ideias, achei o caminho, todos os alunos estavam contando isso, com a atenção deles voltados para mim, eu conversava muito com eles, incentivava, um casamento perfeito, o comportamento mudou creio que cresceram um pouco mais, no final passou, vamos dizer que da água para o vinho, alguma coisa mudou entre eles próprios, entre eles e o professor e entre eles e a escola, eu aprendi muito a me controlar. Para se aproximar do aluno você tem primeiro que ser colega e amigo dele.

2.      Muitos obstáculos tiveram que ser ultrapassados, procurava conversar com os colegas, e encontrar uma solução, a peça de teatro foi a forma diferenciada que encontrei, essa estratégia me beneficiou, abri meu coração, conquistei amizade deles e depois falei da matéria. Conhecê-los foi a melhor forma que encontrei de conseguir algum progresso no aprendizado, plantar algum sonho no coração dessa juventude e adolescentes.

3.      Decidi, através de estudo dirigido, reforçar as bases dos alunos, a avaliação foi discutida com os alunos de maneira democrática, o nível de interacção mais estrito, menos formal para atrair meu aluno, a estratégia era bastante eficaz.

4.      Minhas aulas não eram tão tradicionalistas, era exigente mas sabia como lidar com eles, conseguia ter conversas com eles, sem deixar de exigir responsabilidades.

Buratto (1998, p. 15), descreve que a vida pessoal dos alunos e a maneira como a escola age não andam numa mesma direcção. Silva e Neves (2006, p. 10), explicam que os alunos têm muito a dizer, e se o relacionamento for restaurado e não houver falta de motivação, não ocorrerá falência escolar, pois, como explica Perrenoud (2001, p. 16), a falência só vai existir se todos nós deixarmos que ela aconteça.




CONSIDERAÇÕES FINAIS

Num tom conclusivo, não podemos nos esquecer que os alunos aprendem com bons métodos e meios de ensinos adequados, na mesma ordem de ideias é importante que os familiares incentivem e encorajem aos seus filhos ou parentes a serem pontuais, assíduos e activos durante as aulas. Se por um lado o professor tem que dedicar-se, por outro a família tem que contribuir.

Nesta perspectiva, ensinar e aprender simultaneamente os factores do desencadeamento e o decurso da I Guerra Mundial, é tão fascinante que nos permitiu fazer uma abordagem um pouco mais profunda, precisamente foi importante voltarmos para o século XIX e posteriormente até ao século XX, desenterrarmos os factores do desencadeamento da primeira guerra mundial, nomeadamente, o nacionalismo exacerbado, antagonismo económico, aliança e acordo secretos, expansão da indústria alemã, ódios seculares. Tudo isto vai resultar numa situação explosiva. A morte do arquiduque Francisco Fernando e a sua esposa, sucessores do trono do império Austro-húngaro. Deste modo, a guerra terá início em 28 de Junho de 1914-1918. Os alunos da 9.3 da Kamussamba têm dificuldades e confundem alguns países europeus, como sendo asiáticos ou americanos, porém graças ao meio de ensino (mapa mundi) que conseguimos ultrapassar e aproximar os alunos e explicá-los efectivamente a localização de cada um dos continentes, e logo tornar claro que a Europa foi a base da I Guerra Mundial. Foi uma guerra europeia que se expandiu nos diversos cantos do mundo, felizmente com algumas dinâmicas implementadas do ponto de vista metodológico, auxiliando-se dos meios de ensino, conseguimos ultrapassar este e outros problemas.

Assim, percebemos que a minha mudança de atitude gerou mudanças nos alunos. A necessidade dos alunos fica explícita na entrevista com a Directora, em que ela relata que os alunos pedem mais compreensão de alguns professores.

Medrano e Valentim (2001, p. 35) afirmam que, quando o homem interage com o mundo ele consegue se transformar, aprender e assim se educar. Não podemos ignorar a interferência política nas escolas públicas, mudando planejamentos, cronogramas, métodos sem consultar realmente quem trabalha directamente nessas escolas. Há um esquecimento da realidade dos alunos das escolas estaduais ou municipais, em que eles enfrentam a miséria, a violência em vários âmbitos, a falta de uma família estruturada, a falta de uma escola reflexiva e a falta de professores reflexivos.

Como notado, durante o nosso estágio, a preocupação maior era controlar a indisciplina, a violência e restaurar a relação entre professor e aluno, sendo o conteúdo programático a última coisa a ser considerada. Assim, devemos mudar nossa maneira de pensar e agir. Precisamos deixar nossos alunos falarem, exporem seus medos, dificuldades e desejos, sem perder a perspectiva de que os limites necessitam ser também trabalhados.
Por conseguinte, a nossa relação foi positiva, havendo uma interacção durante as aulas, no que se referi as provas, 85% dos alunos tiveram positiva, portanto o nosso estágio foi muito proveitoso.

RECOMENDAÇÕES

1.      Para permitir um bom convívio entre professor e estudantes, seria bom que os professores fossem mais pacientes, e olharem os alunos como parceiros no processo de ensino-aprendizagem;
2.      Há que ter em conta uma boa planificação (independentemente da matéria do livro, o professor deve actualizar os conteúdos) para permitir que o professor diga as coisas cientificamente;
3.      Os professores devem usar os meios de ensino (mapa, globo e outros), para facilitar a aproximação do que se pretende transmitir; 
4.      Mais do que olhar para o cumprimento do programa, o professor deve verificar se a informação transmitida está a ser bem compreendida pelos alunos, através da consolidação, da tarefa ou mesmo da avaliação;
5.      Os professores e alunos devem ser disciplinados (pontuais e assíduos);
6.      Todos os professores têm a obrigação de se preocuparem com a grafia e fonia dos alunos e por conseguinte corrigirem para que os mesmos erros não sejam prolongados para o próximo nível;
7.      O auxílio dos pais na formação dos seus filhos é muito importante para ultrapassarmos algumas dificuldades, impondo algumas regras em casa, ou seja estabelecer um horário diário, onde ler a matéria da escola seja parte integrante;
8.      A Direcção da escola que envia estagiários deve seguir melhor os seus estudantes e os professores indicados para o efeito;
9.      A Direcção da escola São Francisco de Assis na Kamussamba, deve controlar melhor a higiene da escola, fundamentalmente ao redor dos quartos de banhos;
10.  Que o governo vele nas condições estruturais da escola São Francisco de Assis na Kamussamba.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CHARLOT, B. (2002) A violência na escola: como os sociólogos franceses abordam essa questão. Sociologias, no .8, p.432-443.
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ESTRELA, M.T. (2002) Relação Pedagógica, disciplina e indisciplina na sala de aula. 4ª Edição, Porto (Portugal), Porto Editora.
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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO- INIDE, Programa de História 9ªClasse, Iº ciclo do Ensino Secundário, Reforma Educativa.
NANDAI, E. (1989) - História Geral Moderna e Contemporânea, Editora, Saraiva, Portugal.
                                                                               
ANEXO
                                 
                          
Imagem nº 1: Estudantes da 9.3 na sala de aula, esta fotografia foi tirada em 2015, por João Sicato.

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