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O número de mortos aproximados na revolta da baixa de Kasanji - Portal Vany Musik

POR: João Sicato Kandjo




INTRODUÇÃO:

Na sexta-feira passada “ 4 de Janeiro de 2019”, assazmente nos lembramos do grande massacre na depressão da Baixa de Kasanji na província de Malanje. Neste local praticava-se a cultura do cultivo do algodão e a mesma oprimia os camponeses, e desta feita, frustrados e revoltados, no dia 4 de Janeiro de 1961, os trabalhadores da COTONANG sob auspício de Rosário Neto, António Mariano, bem como os sobas; Nzanji, Teka-dia-Kinda começaram a reagir em Dezembro de 1960, ou seja, deixaram de pagar impostos, abandonaram os campos de cultivo, e em Janeiro queimaram as sementes, abandonaram as enxadas, rasgaram as cadernetas e mais tarde pegaram nas catanas e canhangulos para lutar contra os colonialistas portugueses exigindo a independência total de Angola.

Mais do que nunca, naquele dia tudo ficou claro que um dia seriamos independentes, por um lado atendendo a realidade do ponto de vista do contexto internacional, nomeadamente, o fim da segunda Guerra Mundial, as reacções da ONU, OUA, a independência do Khongo Leopold Ville em 1960 que ajudaram os seus irmãos angolanos, sendo que, o grupo etnolinguístico (Bakhongo) no nordeste de Angola é o mesmo que se encontra na parte sul da R.D.C, para tal basta pensarmos no reino ou na civilização do Khongo que abarcava a República do Gabão, República do Khongo, República Democrática do Khongo e Angola, sem cometermos o erro de nos esquecermos dos combatentes da liberdade, pan-africanistas ou nacionalistas africanos que já tinham começado a luta pela independência de África a bastante tempo, protagonizada por intelectuais, pensadores e homens de estado. Tudo isto influenciou na perda do medo, originando uma luta interna que começa precisamente com uma sede de vitória no “4 de Janeiro de 1961”.

Há muito que se diga, relativamente a esta data, todavia a minha abordagem vai centralizar-se no número de mortos aproximados, neste dia inesquecível da História de Angola.

Os colonialistas classificavam os negros entre assimilados e indígenas, isto na perspectiva racial. Os assimilados eram nativos que tinham adquirido a cidadania portuguesa como sendo a aceitação da cultura metropolitana, e com um tratamento diferenciado aos demais, enquanto, os indígenas eram submetidos a escravidão, originando reclamações e reivindicações. Por conseguinte são estes (indígenas) onde poderemos registar o maior número de mortos.

Assim para Pélissier, citado por Santos (2005, p. 442), 7.000 pessoas foram mortas naquela carnificina, e de facto o mesmo torna claro que alguns que reclamaram foram sepultados vivos até ao pescoço e pisados provavelmente por tractores.

À luz de Gomes (2014,p. 25), Norberto Castro, então jornalista da Rádio Clube de Malanje (RCM), é o único nome conhecido como quem conseguiu estabelecer contactos secretos com alguns sobreviventes. Com ele sabe-se que entre 7.000 e 9.000 mortos foi o resultado da violência de soldados portugueses da companhia de caçadores especiais, que obrigavam os indígenas a cavar as suas próprias covas antes de serem fuzilados.
Alguns indivíduos que testemunharam disseram que a repressão da revolta resultou, 7795 feridos e 4876 prisioneiros, 5524 angolanos fuzilados, dentre os quais, homem, mulheres e crianças, vítimas dos ataques das companhias e bombardeamentos, contudo cerca de 5.000-10.000 foram mortos na Baixa de Kasanji (Dalila; Álvaro Mateus, 2013, p. 57). Kamabaya (2013, p. 103), vai mais longe, relativamente ao número de mortos, diz-nos que, no massacre da Baixa de Kasanji foram mortas mais de 60.000 pessoas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A pesquisa lavada a cabo por nós aponta para mais de 65000 pessoas de todos os géneros, incluindo diversas faixas etárias (crianças, adolescentes, jovens e adultos) perderam a vida no dia 4 de Janeiro.

Na nossa humilde opinião, pensamos que muita gente perdeu a vida, mas não se sabe exactamente quantos morreram na Revolta da Baixa de Kasanji, até porque muitas vítimas simplesmente desapareceram. Os números que os autores trazem átona e os que eu apresento são apenas aqueles cujos corpos das vítimas foram encontradas e registadas. E os demais? O campo de investigação está aberto para aqueles que queiram aprofundar o mesmo subtema.
Ao nos lembrarmos desta grandiosa data, estamos a prestar homenagem aos heróis do 4 de Janeiro que influenciaram fortemente o 4 de Fevereiro, até porque havia um entre posto comercial entre Luanda e Malanje. Por isso que nesta duas províncias os portugueses praticaram o direct rule, o que quer dizer, forma de administração directa. Dito de outra forma, atendendo as realidades dos povos, do clima e da riqueza destas regiões, no entender dos colonialistas havia a necessidade de aplicar uma forma de administração que visava salvaguardar os seus interesses em detrimento do sofrimento dos encontrados.
Claro, estamos na época Salazarista. Assumiram todo poder. A classificação dos critérios ou categorias raciais (brancos, mestiços e pretos), sociais (ricos e pobres, católicos e protestantes) e etnolinguística (distribuição tribal), tendo como essência gerir preconceitos, e conseguiram. Partindo destes pressupostos é lógico que tudo esteja a começar em Malanje (4 de Janeiro), a seguir em Luanda (4 de Fevereiro e 15 de Março) e mais tarde por todo país, até 11 de Novembro de 1975 (independência nacional de Angola).
Angola! Por favor, não esqueça os seus filhos camponeses, massacrados na grande depressão da Baixa de Kasanji. Usaram armas não sofisticadas para lutar em nome da nossa liberdade, para defender a tua pátria e garantir o futuro das nossas crianças.
BIBBLIOGRAFIA:
      CASTO, Norberto. (1996). Ano de Kasanji. Luanda
      GOMES, Armindo. (2014). Ano de Kasanji ou Kasanji da década sessenta? Instituto Superior Politécnico Sol Nascente. Huambo
      KAMABAYA, Moisés. (2003). O Renascimento Da Personalidade Africana. Ed. Nzila, Luanda-Angola.
      MATEUS, Dalila C. e MATEUS, Álvaro. (2013). Angola 61. Texto Editora, Lda. 3ª Ed.
      SANTOS, Eduardo dos. (1969). Religiões de Angola. JIU. Lisboa.
      SANTOS, Egídio Sousa. (2006). A Cidade de Malanje na História de Angola, Lda., Luanda. 1ª Ed.
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