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"Organização Política do império do Mali, como desconstrução dos mitos da não historicidade das sociedades africanas" - Portal Vany Musik

POR: JOÃO SICATO KANDJO


INTRODUÇÃO:

Durante muito tempo a África foi ignorada por muitos pensadores;
•Por razões pedagógicas e didácticas, somos obrigados a abordarmos estas questões e repor a verdade histórica;
•Tais mitos, serviram para baixar a auto-estima dos africanos (malianos), de modo a atingir os objectivos económicos dos europeus;


Numa primeira fase vamos definir e exemplificar alguns mitos;
E na segunda fase abordaremos a organização do Império do Mali;
desde esta perspectiva, pretende-se compreender as razões que estavam na base destes mitos.

2. MITOS
De origem grega (mythos);
Narrativa de teor fantástico;
Lenda;
Mentira;
Faltar a verdade.

3. EXEMPLOS PRÁTICOS

•EX1: Heródoto (484 a.C-420 a.C), citado por Dias (1992):
Acreditava que as regiões ao sul do sara, eram habitadas por homens «… com cabeças de cão, e sem cabeças, cujos olhos ficavam no peito… e que não falavam nenhuma língua humana».
EX2: J.G. Friedrich Hegel (1830), citado por Keita (2009:16):
Hegel, viveu entre 1770-1831, Porém em 1830, publicou a sua obra com o título Introdução à Filosofia da História, onde teve a ousadia e o azar de ter considerado que a África não apresentava interesse, não apenas do ponto de vista da sua História, como também pelo facto de que se via em África, o homem num estado de barbárie e de selvajaria que o impedisse de ser ainda parte integrante da civilização.
Arthur de Gobineau (1853 e 1855), foi percursor das teorias filosóficas nazistas e que durante o século XIX, publicou duas obras, em dois volumes onde afirmou propositadamente o seguinte:

«existem raças fortes e raças fracas e que a mestiçagem era precisamente a decadência da raça humana. E sendo francês e seguidor do nazismo acresceu; só existe uma raça pura, a raça ariana».

A.P. Newton (1923), fez uma declaração catastrófica ao dizer que a África não possuía nenhuma História antes da chegada dos europeus. Para ele, a História iniciava quando o homem se punha a escrever, assim o passado de África antes do imperialismo europeu só poderia ser reelaborado partindo dos vestígios materiais, dos costumes antigos e da língua falada por estes povos, coisas que não interessavam aos historiadores;

E. Sik (séc. XIX), grande historiador húngaro e homem de estado, mas confessou a sua barbaridade quando estabeleceu os princípios de métodos, escreveu: «A grande maioria dos povos africanos, como não têm classes, não constituem estado no sentido estrito da palavra. O estado e as classes sociais apenas existiam na fase embrionária. É por isso que, no que respeita a estes povos, não se pode falar da sua História, no sentido científico do termo, apenas depois do aparecimento dos usurpadores.
4. A ORGANIZAÇÃO POLÍTICA DO MALI
Os chefes tinham os seguintes títulos: Keita, Mansa, Abubakar, e Mussa;
O seu sistema político era monárquico;
O seu sistema de sucessão era matrilinear;
O «Ghara», este era o conselho imperial, onde se discutia os problemas e as possíveis soluções para o progresso do estado;
O «Kelé-Bolow», este exército era organizado e estruturado por unidades de combates comandadas por «kelekunw» e o estado-maior era comandado por «Kele-Tigui»;
•«Diamani Tigui ou farba», era o chefe que controlava e governava uma das cidades. Dito de outra forma, esta palavra transmite a ideia de governador;
•«Kafu-Tigui» era o chefe da pequena administração (nos dias de hoje, remete-nos a ideia de um adminstrador);
•«Dugu-Tigui», era o chefe da aldeia    As vezes também são chamadas por Kelé-bolon”.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
•Os mitos devem ser compreendidos de acordo com os interesses económicos, proselitistas, administrativos, culturais, que os europeus tiveram no continente africano;
•A exemplo dos outros impérios, o Mali apresentou uma organização muito eficiente;
•Os mitos, são desconstruídos com a organização política do Mali;
•O Mali foi um império da África Ocidental entre o séc. XIII-XV.
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